Banco Master pagou R$ 40 milhões ao escritório de Viviane Barci — dez vezes acima da média dos demais contratados
O escritório Barci de Moraes, comandado pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), embolsou R$ 40,1 milhões do Banco Master ao longo de 2025. O montante equivale a aproximadamente dez vezes o valor médio repassado às demais firmas jurídicas contratadas pela instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Gasto total do banco com advocacia chegou a R$ 265 milhões
Conforme dados reportados pelo jornal O Globo, o Banco Master declarou à Receita Federal ter firmado contratos com 61 escritórios de advocacia durante o ano passado, desembolsando ao todo R$ 265 milhões. Quando se exclui o repasse feito à banca de Viviane Barci, a média de pagamentos aos outros 60 escritórios ficou em R$ 3,7 milhões por firma.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
O levantamento partiu de documentos entregues pelo próprio banco ao Fisco e tomou como base os CNPJs classificados na Receita Federal sob a categoria “Serviços Advocatícios”, conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).
Outros escritórios que receberam valores expressivos
Logo atrás do escritório de Viviane Barci, o segundo maior pagamento identificado foi destinado ao Warde Advogados, no valor de R$ 27 milhões. A banca é liderada por Walfrido Warde, que representou Daniel Vorcaro judicialmente até o início de 2026. Warde deixou a defesa do banqueiro quando este passou a negociar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal.
Na sequência, aparece o escritório Gabino Kruschewsky, com sede em Salvador e atuação também em Portugal. Além disso, os registros indicam que a banca do ex-presidente Michel Temer (MDB) recebeu R$ 10 milhões do Banco Master em 2025.
Escritório nega informações e alega sigilo fiscal
Procurado para comentar os dados, o escritório Barci de Moraes declarou que não confirma “essas informações incorretas e vazadas ilicitamente”, destacando que dados fiscais são protegidos por sigilo. Em manifestação anterior, porém, a própria banca havia confirmado a existência do contrato e afirmado que prestou consultorias, realizou reuniões e produziu pareceres para o banco.
Relator da CPI questiona compatibilidade entre valor e serviços
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, declarou considerar que o montante pago ao escritório de Viviane Barci de Moraes não corresponde aos serviços descritos pela banca.
– A CPI recebeu documentos que confirmaram os pagamentos realizados no ano de 2024 do Banco Master para o escritório Barci de Moraes. Em nota publicada há algum tempo o próprio escritório confirmou a existência do contrato e apresentou descritivo de serviços que foi amplamente considerado incompatível com o valor pago – disse o senador.
A revelação amplia a pressão sobre o Banco Master e reacende questionamentos sobre a relação entre a instituição financeira e figuras ligadas a integrantes do STF.