Quebra de sigilos fiscal e bancário pela CPI do Crime Organizado do Senado revelou repasses milionários a Henrique Meirelles, Gustavo Loyola e Pedro Malan
Três nomes que já estiveram à frente do Banco Central do Brasil receberam, no total, cerca de R$ 20,2 milhões líquidos por serviços de consultoria prestados ao Banco Master, de acordo com informações da Receita Federal examinadas pela CPI do Crime Organizado do Senado. O valor bruto dos contratos chegou a R$ 25,8 milhões, distribuídos entre empresas vinculadas a Henrique Meirelles, Gustavo Loyola e Pedro Malan. Os pagamentos ocorreram entre 2022 e 2025 — todos antes da liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central, efetivada em novembro do ano passado.
Como os dados vieram a público
A divulgação dos valores só foi possível após a CPI aprovar a quebra dos sigilos fiscal e bancário da instituição comandada por Vorcaro. Com o acesso à Dirf, parlamentares puderam identificar pagamentos realizados a pessoas físicas e jurídicas ligadas a ex-autoridades do setor econômico e jurídico.
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Meirelles: o maior beneficiário entre os ex-presidentes
Henrique Meirelles, que presidiu o Banco Central de 2003 a 2010, foi quem mais recebeu do Banco Master. O montante bruto destinado a ele somou R$ 18,5 milhões, o que, após deduções fiscais, resultou em R$ 13,4 milhões líquidos. Os repasses foram feitos em dois pagamentos, nos anos de 2024 e 2025. Meirelles limitou-se a afirmar que atuou como consultor de macroeconomia e mercado financeiro para o Master entre março de 2024 e julho de 2025, em caráter opinativo, sem detalhar os valores recebidos.
Loyola e os contratos mensais de R$ 250 mil
Gustavo Loyola, que comandou o BC em dois períodos distintos, foi contratado por meio da Gustavo Loyola Consultoria Ltda. Os pagamentos mensais eram de R$ 250 mil, e o valor bruto acumulado entre 2023 e 2025 atingiu R$ 6,7 milhões. Descontados os impostos, a empresa ficou com R$ 6,3 milhões. Loyola explicou à CNN que os serviços prestados “não envolveram nenhum pleito a órgãos e autoridades públicas a respeito da instituição”.
Além da empresa de consultoria pessoal, a Tendências Consultoria Integrada, da qual Loyola é sócio diretor-presidente, também recebeu recursos do Master. Os repasses líquidos ultrapassaram R$ 430 mil, concentrados em 2022 e 2025. Conforme a empresa, o trabalho abrangeu pareceres, análises técnicas, laudos para ações judiciais e revisões de créditos, sempre dentro do escopo financeiro e econômico.
Pedro Malan e a atuação do escritório de advocacia
Pedro Malan, que esteve à frente do BC entre 1993 e 1995, aparece como sócio do escritório Mirza e Malan Sociedade de Advogados. A banca recebeu R$ 106,5 mil brutos em 2022. A sociedade, que conta com Diogo Malan — filho de Pedro Malan — como sócio, informou que a consultoria prestada estava relacionada a um processo na 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, sem participação direta de Pedro Malan.
Investigações em andamento sobre possíveis favorecimentos
Paralelamente aos contratos de consultoria, a CPI do Crime Organizado do Senado investiga possíveis relações e favorecimentos envolvendo os pagamentos do Banco Master a ex-presidentes do Banco Central. As movimentações financeiras ganharam destaque público justamente após a instituição de Vorcaro ter sido alvo de liquidação extrajudicial, lançando luz sobre vínculos entre o banco e figuras de peso do sistema financeiro brasileiro.