Após declarações de Lula, estrangeiros retiram R$ 3 bilhões da Bolsa

Petista disse que o mercado financeiro não é uma entidade apartada da política
Luíz Inácio Lula Da Silva Luíz Inácio Lula Da Silva
Presidente Luíz Inácio Lula da Silva - foto: Antonio Cotrim / EFE

Petista disse que o mercado financeiro não é uma entidade apartada da política

Estrangeiros investidores retiraram mais de R$ 3 bilhões do mercado de ações secundário da B3, a Bolsa de Valores do Brasil, na quarta-feira, 12. A principal causa do saque bilionário foram as declarações do presidente (PT). A B3 divulgou a informação nesta sexta-feira, 14.

A tendência de fuga de recursos de investidores estrangeiros tem sido observada desde o começo do ano. As incertezas políticas e fiscais no Brasil são os principais contribuintes para esse fenômeno. Além disso, há murmúrios nos bastidores políticos sobre o possível enfraquecimento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em função de declarações do presidente a favor dos gastos governamentais.

Além disso, em um evento no Rio de Janeiro, Lula afirmou que é incapaz de debater economia sem “colocar a questão social na ordem do dia”. O político do PT também expressou que o “mercado [financeiro] não é uma entidade abstrata, apartada da política e da sociedade.”

Na quarta-feira, o Ibovespa, que é o principal indicador da média de desempenho das ações negociadas na B3, teve uma queda de 1,40%. Pela primeira vez desde novembro de 2023, o índice encerrou abaixo dos 120 mil pontos.

Juros dos Estados Unidos

A decisão do Fed, o sistema de reserva federal dos Estados Unidos, sobre as taxas de juros também teve um impacto no mercado. Na quarta-feira passada, dia 12, o Comitê do Banco Central dos EUA indicou somente um corte de juros para este ano, afirmando que não seria apropriado reduzir a meta de intervalo até que haja uma maior confiança de que a inflação se moverá de maneira sustentável para 2%. Como resultado, o valor do dólar aumentou em escala global.

Saldo acumulado fica negativo

Os investidores estrangeiros acumularam um saldo negativo de R$ 7,23 bilhões até o dia 12 de junho e de R$ 43,12 bilhões em 2024. O relatório do banco norte-americano J.P. Morgan enfatizou que as recentes mudanças nas “metas fiscais” do Brasil, bem como a divisão do Copom do Banco Central ocorrida em maio, não foram bem recebidas pelos investidores.

A instituição financeira supõe que uma alteração na percepção do mercado possa acontecer caso o governo Lula implemente ações de diminuição de despesas.

“Mas há uma escassez de recursos para mercados emergentes em geral na ausência de juros mais baixos nos Estados Unidos”, afirmou Emy Shayo Cherman, estrategista do banco.

Investidores locais e individuais

Investidores institucionais locais, na quarta-feira, fizeram um aporte de R$ 1,23 bilhão. Isso resultou em um superávit mensal de R$ 3,16 bilhões e um saldo positivo anual de R$ 6,29 bilhões.

Também houve contribuições de mais de R$ 600 milhões de investidores individuais. Isso levou a um superávit mensal de R$ 2,26 bilhões e anual de R$ 21,46 bilhões. As informações são da Revista Oeste.


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