Alessandro Vieira diz que decisões do STF dificultam investigações e levanta suspeitas sobre relatórios financeiros
O relator da CPI do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), têm dificultado o acesso da comissão a informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo ele, esses dados são considerados essenciais para o avanço das investigações.
Críticas diretas ao ministro e suspeitas levantadas
Vieira declarou que o Coaf estaria sendo pressionado a não compartilhar relatórios de inteligência financeira com a CPI.
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“O Coaf está constrangido, o Coaf está ameaçado pelo ministro Alexandre de Moraes para que não entregue relatórios de inteligência financeira sob pena de cometer uma série de crimes e ilícitos”, afirmou Vieira. “Por quê? O que tem de tão grave que tem que esconder? São os voos nos aviões de Vorcaro? Não dá mais para esconder. A CPI já mostrou.”
Decisão do STF impõe شروط para envio de dados
No fim de março, Moraes determinou que o envio de relatórios do Coaf só poderia ocorrer mediante abertura formal de investigação criminal ou procedimento administrativo. Além disso, exigiu justificativa sobre a pertinência do pedido e a identificação dos investigados.
Essas exigências foram interpretadas por parlamentares como entraves ao trabalho da CPI.
Registros de voos e relação com empresário entram no debate
Dados levantados pela comissão indicam que Alexandre de Moraes utilizou ao menos oito vezes aeronaves ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Um dos registros aponta que uma dessas viagens ocorreu na véspera de um encontro entre o ministro e o banqueiro. Informações analisadas incluem registros do terminal de aviação executiva do Aeroporto de Brasília e mensagens obtidas pela CPI do INSS.
Em uma delas, enviada em 8 de agosto de 2025, Vorcaro escreveu: “Tô com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro”, mencionando o ministro do STF e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Patrimônio do ministro também é citado
Levantamento divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo aponta que Moraes e sua esposa, Viviane Bareci de Moraes, ampliaram o patrimônio imobiliário desde sua entrada no STF, em 2017.
Nos últimos cinco anos, o casal teria investido R$ 23,4 milhões em imóveis, acumulando 17 propriedades avaliadas em R$ 31,5 milhões em São Paulo e no Distrito Federal.
Críticas se estendem a outras autoridades
Alessandro Vieira também criticou o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que renunciou em março e não compareceu a um depoimento na CPI após obter habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, que tornou sua presença facultativa.
Operações financeiras entram na mira
O senador também mencionou que, mesmo após a identificação de fraudes envolvendo carteiras do Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) adquiriu R$ 20 bilhões em ativos ligados à instituição de Daniel Vorcaro.
Declaração final reforça tom crítico
Ao comentar o cenário, Vieira fez uma crítica mais ampla ao sistema:
“No Brasil, a lei só vale para pobre”, disse. “Essa é a realidade, infelizmente. Eu fico impressionado com como alguém pode pedir a confiança dos brasileiros ou dos moradores do DF e depois não tem coragem de prestar contas.”