Vice-presidente ataca pré-candidatura do senador e diz que debate sobre PCC e Comando Vermelho serve para encobrir escândalo financeiro
Durante agenda em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin disparou críticas contundentes ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para ele, a possível candidatura do parlamentar à Presidência da República não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de algo que coloca em risco as instituições do país.
Candidatura classificada como risco institucional
Em entrevista ao UOL, Alckmin foi enfático ao avaliar o cenário político. Traçando um paralelo com o período que antecedeu a eleição do presidente Lula, o vice-presidente deixou claro que enxerga a movimentação de Flávio Bolsonaro com preocupação.
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“A candidatura do Flávio Bolsonaro não é bem candidatura. Isso é uma ameaça. É uma ameaça à democracia, ao país, ao povo. A outra, a experiência do presidente Lula faz diferença”, disse.
Acusação de cortina de fumaça sobre o Banco Master
Na mesma sexta-feira, 29, o vice-presidente foi além das críticas eleitorais. Segundo Alckmin, a defesa feita por Flávio Bolsonaro da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos teria um propósito calculado: desviar a atenção pública das investigações envolvendo o Banco Master.
“O que eu lamento nesse episódio que você se referiu é que, infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país. Então, para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, aí ficam gerando factoides, fatos novos para desviar a atenção da questão do Banco Master, que é gravíssima do ponto de vista de corrupção e de sonegação”, afirmou.
Flávio Bolsonaro reage e ironiza Lula
O senador não ficou calado diante das críticas. Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro reagiu a declarações do presidente Lula feitas em Sergipe, aproveitando uma expressão utilizada pelo petista para associá-lo à defesa das facções criminosas. O contexto original da fala de Lula era a designação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas pelo governo norte-americano.
“Vocês já viram um presidente da República tratar integrantes do PCC e Comando Vermelho como ‘nossos criminosos’?”, ironizou o senador.
Contraofensiva sobre soberania
Na sequência, Flávio Bolsonaro respondeu diretamente à fala presidencial com tom combativo:
“‘Nossos criminosos’, Lula? Não, seus criminosos. A soberania que a gente defende é a soberania do povo brasileiro, é a soberania das 50 milhões de pessoas que vivem sob o domínio de narcoterroristas.”