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África começa a se dividir e pode formar um novo oceano, dizem cientistas

África se divide lentamente na região de Afar, podendo formar um novo oceano em milhões de anos.

Processo ocorre há milhões de anos e está concentrado na região de Afar, na Etiópia

Um fenômeno geológico de longa duração está em curso no continente africano: a separação gradual de placas tectônicas que, no futuro, pode resultar na formação de um novo oceano. O processo acontece na região de Afar, no norte da Etiópia, onde três grandes sistemas de falhas convergem.

Apesar de parecer algo dramático, como retratado em filmes de catástrofe, especialistas reforçam que a transformação ocorre de forma extremamente lenta — ao longo de milhões de anos.

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Região de Afar: o epicentro da transformação

A região de Afar é uma das áreas mais quentes e inóspitas do planeta, com temperaturas que ultrapassam os 50 °C. No local está a depressão de Danakil e o vulcão Erta Ale, conhecido por seu lago de lava ativo há décadas.

Mais importante para a ciência, porém, é o fato de Afar estar situada sobre a junção de três placas tectônicas: a fenda Principal da Etiópia, a do Golfo de Aden e a do Mar Vermelho. Essas estruturas estão se afastando lentamente em um fenômeno chamado rifting continental.

Placas tectônicas se afastam lentamente

À medida que essas placas se separam, o material do interior da Terra sobe à superfície. Esse processo pode, eventualmente, criar uma nova bacia oceânica.

A velocidade dessa separação é mínima em termos humanos:

  • Fendas do Mar Vermelho e Golfo de Aden: cerca de 15 milímetros por ano
  • Fenda Principal da Etiópia: cerca de 5 milímetros por ano

Ou seja, menos do que o crescimento das unhas humanas.

A cientista Emma Watts, que estuda a região, destacou à CNN que o fenômeno é frequentemente exagerado:

“Muitas vezes isso pode se perder na comunicação”, disse Emma Watts.
“As pessoas veem isso e pensam, ‘Ah não, está se quebrando!’ Não, é muito, muito lento… Eu poderia dizer isso até ficar roxa de tanto falar, mas as pessoas ainda preferem o título caça-cliques. Você apenas tem que meio que aceitar e aguentar.”

Uma “janela” rara para a formação de oceanos

Diferente de outros pontos do planeta, onde esse tipo de processo ocorre sob o mar, Afar permite observação direta. Segundo Watts:

“Afar é um lugar lindo porque ele (o novo fundo do oceano) ainda não está submerso”.

Pesquisas recentes identificaram uma pluma de material quente subindo do interior da Terra sob a região. Esse fluxo não é uniforme — ele pulsa como um “batimento cardíaco”, variando conforme as condições das placas tectônicas.

“Antes deste estudo, pensávamos que a pluma era simples: ela subia, era uma composição única”, explicou a pesquisadora.
“Mas, na verdade, achamos que ela pode ter heterogeneidades (características variadas) dentro da pluma…”

Formação de oceano pode nem acontecer

Apesar da tendência de separação, não há garantia de que um novo oceano surgirá. Em alguns casos, o processo de rifting falha antes de se completar, como já ocorreu em outras regiões do planeta.

Ainda assim, a movimentação contínua já expõe camadas antigas da Terra, oferecendo pistas sobre milhões de anos de evolução geológica.

Descobertas científicas e fósseis importantes

A região de Afar também tem revelado descobertas importantes sobre a evolução humana. Pesquisadores encontraram fósseis com cerca de 2,6 milhões de anos, incluindo restos do Paranthropus, espécie apelidada de “Homem Quebra-Nozes”.

A descoberta surpreendeu cientistas, já que esses hominídeos eram conhecidos principalmente em regiões mais ao sul da África.

“Pensava-se que ele (Paranthropus) nunca tinha se dispersado tão ao norte…”, disse o paleontólogo Dr. Fred Spoor.
“A nova descoberta agora sugere o contrário…”

Além disso, dentes fossilizados de outros hominídeos, com até 2,8 milhões de anos, indicam que diferentes espécies humanas podem ter coexistido na região.

Atividade vulcânica e novos desafios

A área também é marcada por intensa atividade vulcânica. Em novembro passado, o vulcão Hayli Gubbi entrou em erupção após longo período de inatividade, liberando uma nuvem de cinzas que afetou até rotas aéreas internacionais.

Segundo Watts, ainda há muito a aprender sobre os riscos locais:

“Acho que muitas vezes, em relação ao risco na região, não sabemos muito… Eu adoraria continuar garantindo que entendamos esses vulcões…”

Processo lento, mas fascinante

Embora o cenário possa lembrar filmes apocalípticos, a realidade é bem diferente. A África não está se partindo de forma repentina — trata-se de um processo geológico que levará milhões de anos para evoluir.

Para os cientistas, no entanto, o fenômeno representa uma oportunidade única de observar, em tempo real, como um continente pode dar origem a um novo oceano.


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